Festival MêiMundo promove debate sobre os caminhos da arte e da cultura na Paraíba

A sexta edição do Festival MêiMundo, realizado no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), promoveu um espaço de diálogo sobre os desafios e as possibilidades para o desenvolvimento da arte e da cultura no estado. Integrando a programação do festival, a mesa de diálogo “Para onde vai a Arte na Paraíba? Perspectivas para o futuro” reuniu representantes da universidade e da área cultural para discutir caminhos para a produção artística na Paraíba.
O encontro foi realizado no Cine Aruanda no CCTA, e contou com a participação de Pedro Santos, secretário de Cultura da Paraíba; Alexandre Santos, coordenador de Extensão Cultural (COEX); André Luís Piva, professor do Departamento de Turismo da UFPB; Conceição Benck, coordenadora do Bacharelado em Música da UFPB; José Andrade de Melo Júnior, vice-coordenador do Bacharelado em Música; e Henrique Sampaio, representante do Comitê de Cultura da Paraíba e coordenador do projeto de extensão Apoio ao Forró.
Um festival construído pela universidade
Criado em 2018 por estudantes do curso de Relações Públicas da UFPB, o Festival MêiMundo surgiu como atividade prática da disciplina de Planejamento e Organização de Eventos. A primeira edição foi organizada por uma turma de dez estudantes e deu início a uma iniciativa que, ao longo dos anos, passou a integrar o calendário cultural da Universidade, com o objetivo de incentivar e apoiar a arte e a cultura local, aproximando a comunidade acadêmica da produção artística e cultural paraibana.
Em sua sexta edição, o festival adotou o slogan “Onde as vozes se encontram”, ampliando sua programação para além das apresentações artísticas e incorporando oficinas, momentos de diálogo e outras atividades culturais. Diante disso, a realização da mesa reforçou a proposta do festival de criar espaços de encontro entre diferentes agentes e perspectivas da cena artística paraibana.
Entre políticas públicas e os caminhos para a cultura

Ao longo do encontro, foram discutidos diferentes aspectos relacionados à produção e ao desenvolvimento da cultura no estado, incluindo os processos de criação artística, a formação de novos profissionais, o acesso às políticas públicas, a circulação das obras e o papel da cultura no desenvolvimento social. A discussão também abordou as possibilidades existentes para que artistas e demais fazedores de cultura tenham acesso a recursos e oportunidades de financiamento e circulação.
Entre os instrumentos mencionados estiveram a Política Nacional Aldir Blanc, a Lei Rouanet, o ICMS Cultural, o Arte na Bagagem e outros editais voltados à produção e à circulação cultural. A discussão sobre esses mecanismos trouxe uma questão central para o setor: além de produzir arte, os artistas precisam encontrar condições para apresentar, divulgar e fazer circular seus trabalhos.
A diversidade cultural como ponto de partida
Outro aspecto discutido durante a mesa foi a multiplicidade de manifestações culturais existentes na Paraíba. A diversidade de expressões, linguagens, saberes e práticas culturais do estado também esteve presente no debate sobre os diferentes caminhos da produção cultural paraibana.
Nesse cenário, o debate sobre o futuro da arte paraibana também passa pela valorização das manifestações culturais tradicionais e pelas formas de garantir a continuidade do trabalho de seus agentes, da transmissão de conhecimentos e da circulação dessas expressões. A discussão envolveu, assim, questões como preservação, reconhecimento e sustentabilidade das manifestações culturais que fazem parte da identidade do estado.
Universidade, extensão e cultura
A mesa também reuniu diferentes perspectivas sobre a relação entre universidade, cultura e sociedade. A participação de representantes dos cursos de Música e de Turismo, da Coordenação de Extensão Cultural e de iniciativas voltadas à pesquisa e à extensão evidenciou a universidade como um espaço de formação, produção de conhecimento e vínculo com a comunidade.
Entre os participantes esteve Henrique Sampaio, representante do Comitê de Cultura da Paraíba. Na UFPB, ele está vinculado ao Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Economia Solidária e Educação Popular (NUPLAR) e coordena o projeto de extensão “Apoio ao Forró”, que atua junto a entidades e movimentos de valorização do Forró Tradicional. Dessa forma, a participação do projeto na mesa também estabeleceu uma conexão entre as discussões sobre políticas culturais e as experiências dos agentes culturais.
Pensar o futuro a partir da articulação
Ao reunir diferentes atores da cultura paraibana em torno da pergunta “Para onde vai a Arte na Paraíba?”, o Festival MêiMundo abriu espaço para refletir não apenas sobre os desafios enfrentados atualmente pela área, mas também sobre as condições necessárias para sua continuidade.
A discussão mostrou que pensar o futuro da arte envolve diferentes dimensões: a existência de políticas públicas, o acesso dos artistas aos mecanismos de financiamento, a formação de novos profissionais, a circulação da produção cultural, a valorização da diversidade e a articulação entre universidade e sociedade.
Conteúdo elaborado pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Economia Solidária e Educação Popular (NUPLAR) por meio do projeto de extensão Apoio ao Forró, com edição da Comunicação da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
