Projeto de extensão desenvolve ação com distribuição de álbuns para crianças em tratamento contra o câncer

Quem passa pela pediatria do Hospital Napoleão Laureano talvez não espere encontrar crianças negociando figurinhas, comemorando repetidas encontradas ou procurando aquela que falta para completar uma página do álbum. Mas é exatamente isso que vem acontecendo graças a uma campanha promovida pelo projeto de extensão “Brincar para Melhorar“, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que transformou as figurinhas da Copa em uma oportunidade de diversão, interação e acolhimento durante o tratamento.
Vinculado ao Departamento de Psicopedagogia da UFPB, o projeto surgiu em 2023 com o objetivo de estimular o desenvolvimento cognitivo, social e emocional de crianças e adolescentes com câncer por meio do brincar. As ações acontecem diretamente no ambiente hospitalar e buscam tornar o período de internação mais acolhedor para os pacientes e suas famílias.
Das brincadeiras às figurinhas
A campanha das figurinhas nasceu de forma espontânea. A ideia surgiu quando uma das extensionistas presenteou uma criança acompanhada pelo projeto com um álbum e alguns pacotes de figurinhas. A repercussão foi tão positiva que outras crianças também passaram a demonstrar interesse pela atividade.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Flávia Moura, o interesse das crianças pela brincadeira acabou mobilizando outras pessoas. “Essas crianças passaram a querer trocar figurinhas, e o hospital organizou um espaço para que as trocas pudessem acontecer. Logo, todo o grupo começou a buscar doações, e os profissionais do hospital também passaram a se mobilizar”, relata.
Com a mobilização da equipe e da comunidade, a campanha cresceu e passou a beneficiar não apenas pacientes da pediatria do Hospital Napoleão Laureano, mas também crianças atendidas pela Casa da Criança com Câncer.

Muito mais que uma brincadeira
A iniciativa contribui para o desenvolvimento e o bem-estar desses jovens pacientes que enfrentam longos períodos de internação e tratamento. Em um contexto marcado por procedimentos médicos, mudanças de rotina e afastamento da convivência escolar, o brincar pode fazer diferença. A pesquisa publicada em 2025 na revista BMC Complementary Medicine and Therapies identificou que atividades lúdicas e contação de histórias reduziram significativamente a ansiedade de crianças hospitalizadas. O estudo acompanhou 75 crianças e identificou uma redução significativa dos níveis de ansiedade entre os participantes, reforçando o potencial das intervenções lúdicas para promover o bem-estar durante a internação.
Para a coordenadora Flávia Moura, esse tipo de atividade faz diferença no cotidiano das crianças acompanhadas pelo projeto. “Ações como essa têm um impacto muito significativo, pois ajudam a trazer momentos de alegria, diversão e interação para crianças que enfrentam uma rotina marcada por consultas, exames e procedimentos muitas vezes dolorosos.” Segundo a coordenadora, a atividade também estimula habilidades como atenção, concentração, organização e coordenação motora, além de favorecer a socialização e fortalecer vínculos entre crianças, familiares e profissionais.
Extensão que transforma
As ações do Brincar para Melhorar incluem brincadeiras, jogos educativos, leitura, desenho, pintura e outras intervenções planejadas para estimular diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, sempre respeitando as condições clínicas de cada paciente. Além de beneficiar as crianças e adolescentes atendidos, o projeto também contribui para a formação dos estudantes extensionistas dos cursos de Psicopedagogia e Psicologia, proporcionando experiências práticas que aliam aprendizado, prática profissional e impacto social.
A comunidade pode colaborar com a iniciativa por meio da doação de figurinhas, álbuns, jogos e brinquedos educativos que possam ser higienizados adequadamente, como brinquedos de plástico. Outra forma de apoiar o projeto é acompanhando e compartilhando suas ações no Instagram, pelo perfil @brincarparamelhorar.
As doações arrecadadas são distribuídas pelos próprios extensionistas às crianças e adolescentes acompanhados pelo projeto, transformando pequenos gestos em momentos de diversão, socialização e acolhimento durante o tratamento, ao mesmo tempo em que proporcionam aos estudantes uma vivência prática que complementa sua formação acadêmica e profissional.
Texto: Adrielly Torres.
