Projeto da UFPB tem como objetivo inclusão através do ensino de idiomas

segunda-feira, 1 de junho de 2026
atualizado em terça-feira, 2 de junho de 2026

O projeto “Favelas Fluentes: primeiros passos para a Internacionalização das Comunidades Paraibanas” nasceu em 2024. A iniciativa surgiu da necessidade de promover a internacionalização nas favelas da Paraíba que não tinham tanto acesso à educação como outros bairros da capital. A partir da atividade de extensão, os bolsistas e voluntários vão às comunidades para, através de metodologias ativas como oficinas, aulas e workshops, ensinar novas línguas e expandir as oportunidades dos jovens que residem nesses locais. 

A educação de jovens e adolescentes que residem em favelas ainda é um desafio no Brasil e, principalmente, na Paraíba. Dados de uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) apontam que, no estado, 30.517 crianças e adolescentes, entre 4 e 17 anos de idade, não estão estudando. 

Segundo o estudo, dentro desses 30.517 alunos não matriculados em escolas, mais de 16 mil estão entre os 20% mais pobres do país. Isso escancara a realidade da desigualdade social vivida por alunos como Aline Lima, estudante de arquitetura na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e extensionista voluntária do Favelas Fluentes. Moradora de comunidade, ela descreve a emoção de trazer oportunidades para quem nunca teve:

Reduzir as desigualdades sociais não é um trabalho simples, mas o principal objetivo do projeto é a capacitação dos jovens da região metropolitana de João Pessoa em vulnerabilidade social, proporcionando a eles o acesso a conhecimentos que são extremamente relevantes para os seus futuros profissionais. Para a coordenadora do Favelas Fluentes, a professora Ana Berenice Peres Martorelli, do Departamento de Letras Estrangeiras e Modernas (DLEM),todo processo vai muito além do ensino de línguas estrangeiras.

“A ideia do projeto Favelas Fluentes é mostrar que o espaço da educação pública é feita para eles, que eles podem alcançar esse lugar, que é um lugar que pertence a eles e é por isso que sempre alternamos as aulas entre as comunidades e a própria universidade. Levamos eles até as salas de aula da UFPB para mostrar que podem e devem ocupar aquelas cadeiras”, explica Ana Berenice.

Em março deste ano, o Centro de Capoeira Angola Palmares, em Tibiri II, bairro de  Santa Rita, recebeu o projeto para aulas de inglês e espanhol para os alunos do local. Eles são acompanhados durante todo um semestre pela coordenação e pelos extensionistas do projeto. 

Além das aulas, intercambistas da UFPB vão até as comunidades para ensinar e fazer essa imersão. Provas também são ministradas ao final do semestre para analisar o desempenho dos estudantes. Tauã Alves, de 17 anos, é aluno do centro de capoeira e nunca achou que viveria algo parecido com o projeto.

Guia na vida e no esporte

Françueldo Quirino é quem guia esses jovens no esporte e na vida. Chamado respeitosamente de “mestre” pelos alunos do centro de capoeira, ensina o esporte há mais de vinte anos. O “Mestre Quirino” consegue ver a importância da educação na vida de cada um dos jovens que passam e crescem por ali.

“É como se fosse um sonho, a gente poder dar oportunidade que nós nunca tivemos na nossa vida, de aprender, crescer e conquistar coisas que nós não conquistamos”, destaca Françueldo. 

Além de Tibiri II em Santa Rita, o projeto já esteve presente nas comunidades do Citex, São José em João Pessoa e na comunidade São Mateus em Cabedelo. Para mais informações, o Instagram do projeto é o @favelasfluentes e através das redes sociais eles recebem sugestões e solicitações de lugares novos para oferecimento das aulas de idiomas.

Texto: Alice da Costa

Edição: Marcella Machado