Cine Trava promove transformações na UFPB desde 2018

Participação no lançamento do Programa de Inclusão LGBTQIAP+ do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba
Tornar a UFPB um espaço mais inclusivo para a população LGBTQIAPN+, principalmente para as pessoas trans. Esse é o objetivo central do projeto de extensão Cine Trava, que está em seu oitavo ano de atuação. Com ações nas artes e na ciência, em 2026, o projeto se volta principalmente para a luta política, na garantia da permanência das pessoas trans na Universidade.
O projeto tem como principal marca ser um espaço de apoio, encontro e organização de estudantes trans. “Infelizmente temos poucas pessoas trans na Universidade, em comparação com estudantes cis. Então é uma forma da comunidade trans se ajudar”, explica a coordenadora, professora Luciana Ribeiro.
Atualmente, o projeto conta com onze participantes, inclusive alunas egressas da UFPB. Jota Isnard, estudante de Ciências Sociais, participa do Cine Trava desde 2021. Ela conta que academicamente o projeto possibilitou conhecimento sobre autores e autoras trans, arte, performance e ativismo, além de ser um espaço de companheirismo e apoio.
“A Cine Trava tem um jeito de família, e ali foi um espaço seguro e acolhedor para que eu desenvolvesse minha transição de gênero de uma forma autêntica, e sem sombra de dúvidas melhor do que se não tivesse o apoio e a troca com as vivências das outras pessoas do projeto”, avalia a estudante.
Esse é também o sentimento compartilhado pela atual bolsista do projeto, Senna Tolentino, do curso de psicologia. “O projeto representa um espaço seguro de troca e aprendizado, um lugar essencial pro meu desenvolvimento acadêmico e profissional mesmo. Tenho aprendido não só a escrever, mas a pesquisar e a construir outras maneiras de continuar existindo dentro desse espaço que não foi pensado para corpos e existências como as nossas”, analisa.
Mudanças
Com uma linha de ação mais voltada para o público interno da UFPB, nesses oito anos de extensão, a Cine Trava tem ajudado a construir uma universidade mais inclusiva. Essa é a percepção da coordenadora Luciana Ribeiro. Como exemplo, ela cita a Resolução 01/2024, que dispõe sobre o direito à utilização dos sanitários da UFPB de acordo com a identidade de gênero, independentemente do Registro Civil.
O documento foi uma elaboração das pessoas participantes da Cine Trava, com apoio do Centro de Referência de Políticas de Prevenção e Enfrentamento às Violências contra as Mulheres da UFPB (CoMu). “É um caminhar gradual, mas sinto que a universidade tem mudado, sim, do que ela era em 2018 e do que ela é hoje com a Cine Trava”, defende.
Para esse ano, o projeto vai focar principalmente nas ações de permanência e ampliação da população trans e travesti na universidade. Para isso, já foi protocolada uma proposta de minuta sobre a adoção de cotas para pessoas trans na UFPB na graduação.
Texto e edição: Lis Lemos
