Exposição em escola na comunidade do Cajá homenageia a resistência de comunidades atingidas por barragens na Paraíba

A Escola José Bezerra de Lima, localizada no Sítio do Cajá, em Itatuba, região metropolitana de Campina Grande, na Paraíba, recebe nesta segunda-feira (18), a exposição fotográfica “Movimento dos atingidos por barragens na Paraíba: fotografia memória e resistência”.
O evento é uma ação de extensão realizada pelo projeto “Restituição e curadoria compartilhada: acervos fotográficos e o direito à memória com o Movimento dos Atingidos por Barragens na Paraíba (MAB-PB)”, vinculado ao curso de graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do Campus IV, em Rio Tinto.
A exposição faz parte do projeto Probex/UFPB 2025/26, entretanto a equipe vem realizando ações de extensão com a comunidade do Cajá, em Itatuba, desde 2020 em colaboração com o Movimento dos Atingidos por Barragem na Paraíba (MAB/PB). A região foi uma das atingidas pelo rompimento da barragem de Acauã.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) nasceu entre as décadas de 1970 e 1980, como reação às violações dos direitos das comunidades ribeirinhas, resultado de um projeto de desenvolvimento estatal para os centros urbanos e setores produtivos, colocando de lado as mudanças socioculturais e econômicas geradas pela construção da barragem e, posteriormente, agindo com negligência em relação às condições de vida das famílias atingidas.
Entre as principais ações do projeto, estão a formação de coleções fotográficas sobre os processos de inundação causados pela barragem Argemiro de Figueiredo, localizada no Rio Paraíba, entre os municípios de Itatuba, Natuba e Aroeiras, na Paraíba, e as visitas de campo à comunidade de atingidos do Cajá, utilizando metodologias da Antropologia Visual aprendidas no ambiente acadêmico da universidade, investigando a memória da história vivida por essas famílias.

A exposição foi inaugurada em 2025, na Galeria Arandu, localizada no Campus IV da UFPB em Rio Tinto. Agora o projeto se expande para fora dos muros da universidade e avança com um circuito itinerante rumo à comunidade do Cajá, realizando uma roda de conversa com os atingidos e colaborando ativamente para o processo de reconhecimento da memória do movimento como um patrimônio cultural imaterial.
Lara Amorim, coordenadora do projeto e uma das curadoras da exposição, ressalta que entre os objetivos da exposição itinerante está difundir a história dos atingidos, estabelecer redes de comunicação e ampliar a memória do movimento na comunidade de atingidos a partir das fotografias.
“Em resposta ao processo de violência causado pela construção da barragem, a organização do movimento dos atingidos resiste com o gesto de plantar e colher o algodão na terra reassentada. O projeto de extensão almeja a restituição de uma memória coletiva, materializada em documentos e testemunhos dessas pessoas que sofreram as consequências da construção da barragem, as fotografias presentes na exposição evocam memórias, sentimentos e afetos desse processo de perda e resistência”, afirma Lara Amorim.
Depois de passar pelo Sítio do Cajá, no segundo semestre de 2026, a exposição terminará no reassentamento Agrovila Águas de Acauã, em Itatuba, onde se pretende construir, junto com a comunidade, um memorial do MAB-PB.
A exposição tem a curadoria dos integrantes da coordenação do MAB na Paraíba, Osvaldo Bernardo, Aline Araújo e Edvaldo Trajano, e dos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA/UFPB), Lara Amorim, Bernardo Américo, Rafaella Sualdini e Yuri Schönardie Rapkiewicz..

Serviço:
Evento: Exposição “Movimento dos Atingidos por Barragens na Paraíba: Fotografia, Memória e Resistência”
Data: 18 de maio de 2026
Horário: 14h às 16h
Local: Escola José Bezerra de Lima, Sítio Cajá S/N, Itatuba, PB
Texto: Alice da Costa
Edição: Marcella Machado
