Conforto térmico pode afetar autistas de forma diferente

Um estudo de Zaniboni e colaboradores, publicado em 2025, investigou como pessoas autistas e alísticas (termo usado para pessoas não autistas), percebem diferentes condições de temperatura em ambientes internos. A pesquisa também avaliou se ter acesso à vista de áreas externas, especialmente de paisagens naturais, poderia influenciar essa percepção.
O estudo foi realizado durante o inverno, em ambientes semelhantes a escritórios, com três condições de temperatura: ligeiramente fria, neutra e ligeiramente quente. Os participantes responderam a questionários sobre como percebiam a temperatura, enquanto os pesquisadores também registraram características do ambiente e medidas fisiológicas, como frequência cardíaca e temperatura da pele.
Diferenças aparecem na percepção de frio e calor
Os resultados mostraram diferenças entre os grupos. Nas condições consideradas neutras, pessoas autistas e alísticas tiveram percepções semelhantes. Já nas situações de frio e calor, as pessoas autistas relataram maior desconforto quando não havia acesso à vista externa.
Na situação mais fria, os participantes autistas apresentaram, em média, uma percepção de frio de −1,71, enquanto o grupo alístico apresentou −0,85. Na situação mais quente, os valores foram de 1,53 para o grupo autista e 0,90 para o grupo alístico. O estudo também identificou que uma proporção maior de participantes autistas relatou desconforto em partes específicas do corpo, como pernas, pés, braços, mãos e cabeça.
A vista para uma paisagem natural pode diminuir as diferenças
Quando havia vista para uma paisagem natural externa, a diferença na percepção da temperatura entre os grupos deixou de ser estatisticamente significativa. O desconforto em partes específicas do corpo relatado pelas pessoas autistas também diminuiu nessa condição.
Zaniboni e colaboradores não encontraram uma relação significativa entre a percepção da temperatura e as medidas fisiológicas, como frequência cardíaca e temperatura da pele. Os resultados reforçam que diferenças individuais na sensibilidade aos estímulos podem exigir diferentes condições no ambiente para favorecer o conforto e o bem-estar de pessoas autistas.
O planejamento dos ambientes pode considerar diferentes necessidades
Na conclusão, os pesquisadores destacam a importância de planejar os ambientes internos considerando as características das pessoas autistas. Como a percepção do ambiente pode variar de uma pessoa para outra, os autores consideram importante possibilitar maior controle individual sobre as condições do espaço. Em ambientes de trabalho, por exemplo, uma possibilidade seria oferecer espaços individuais ou soluções personalizadas, permitindo que as condições do ambiente sejam ajustadas às necessidades de cada pessoa.
Outro resultado destacado foi a importância do acesso à vista pelas janelas. A presença de uma vista para o ambiente externo esteve associada a uma melhora geral do bem-estar das pessoas autistas e apresentou impacto maior nesse grupo do que entre os participantes alísticos.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda são necessárias novas pesquisas para entender como esses resultados podem ser aplicados ao planejamento dos espaços. Entre os aspectos que podem ser estudados estão o tamanho das janelas, a distância entre o local de permanência e a janela e as características dos dispositivos de sombreamento.
Também são apontadas possibilidades de pesquisa sobre outros recursos relacionados à natureza, como elementos biofílicos, que aproximam as pessoas da natureza no ambiente construído, e sons naturais. Os autores também sugerem investigar os possíveis efeitos da luz natural e da vista para o ambiente externo sobre os ciclos de sono e vigília.
A acessibilidade também envolve as condições do ambiente
Zaniboni e colaboradores destacam que a acessibilidade ambiental não significa oferecer necessariamente as mesmas condições para todas as pessoas, mas considerar diferentes formas de perceber e interagir com o ambiente.
Nesse sentido, o conforto de pessoas autistas não depende apenas da temperatura de um espaço. Características como o acesso visual ao ambiente externo e à natureza também podem influenciar essa experiência. Para instituições de ensino, espaços de trabalho e locais de convivência, os resultados contribuem para ampliar a discussão sobre acessibilidade e qualidade ambiental, considerando também as diferentes formas de percepção das pessoas que utilizam esses espaços.
Fonte
O presente conteúdo foi adaptado para a Linguagem Simples por GRALHA, inteligência artificial criada por Marcia Ditzel Goulart, sob organização de Kátia Diniz, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da UFPB e integrante do Coletivo Autista da UFPB, com base no artigo científico de Zaniboni e colaboradores, publicado em 2025 na revista Building and Environment. A versão completa está disponível no site do Coletivo Autista da UFPB: ufpb.br/cau.
