Disciplina do CEAR da UFPB desenvolve aplicativos voltados à mobilidade elétrica e ao transporte universitário 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Planejar uma viagem com um veículo elétrico ou saber quando o ônibus circular da universidade vai chegar ao ponto são situações presentes na rotina de muitas pessoas. Na disciplina Profissional III do curso de Engenharia Elétrica do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estudantes desenvolveram dois aplicativos voltados a esses desafios: o EVRoute, que auxilia no planejamento de viagens com veículos elétricos, e o LOCBUS, criado para acompanhar o transporte universitário. 

Os dois projetos nasceram na disciplina Profissional III, do curso de Engenharia Elétrica, que faz parte da curricularização da extensão. Ao todo, a disciplina tem 60 horas, divididas em 15 horas de aulas teóricas15 horas de atividades práticas e 30 horas dedicadas à extensão. Nesse período, os estudantes trabalham em equipe para identificar problemas do dia a dia, pensar em soluções e desenvolver projetos que possam contribuir com a sociedade. Ao longo do semestre, os estudantes vivenciam as diversas fases do projeto, desde a identificação de um problema até a criação. Segundo o professor Oswaldo Hideo, responsável pela disciplina, esse processo amplia a formação dos estudantes ao aproximá-los da realidade profissional. 

“Os discentes trabalham em equipes multidisciplinares, passando por todas as etapas de desenvolvimento de um projeto, desde a identificação de um problema até a concepção, implementação, validação e apresentação de uma solução baseado em um problema real”, descreve o docente. 

As atividades são desenvolvidas em parceria com o Grupo de Pesquisa em Energia e Sustentabilidade Energética (GPEnSE). Após o desenvolvimento dos aplicativos, as equipes apresentaram os projetos na Feira de Engenharia Elétrica do semestre 2025.1, o evento reuniu estudantes, professores e visitantes. 

Aplicativo para facilitar viagens com veículos elétricos 

O EVRoute, segundo seus desenvolvedores, surgiu a partir de um desafio cada vez mais comum para quem utiliza veículos elétricos: planejar viagens em locais onde a rede de estações de recarga ainda está engatinhando. Antes mesmo de pegar a estrada, o motorista precisa calcular se a bateria será suficiente para o percurso, localizar pontos de recarga e estimar o tempo necessário para cada parada. 

A partir dessa realidade, um grupo de estudantes da disciplina Profissional III desenvolveu uma ferramenta voltada ao planejamento dessas viagens. O aplicativo reúne informações como autonomia da bateria, localização das estações de recarga, geolocalização e tempo estimado de deslocamento, sugerindo rotas que já consideram as paradas necessárias ao longo da viagem. A ideia nasceu durante uma pesquisa realizada pela equipe sobre a mobilidade elétrica na América Latina. Ao analisar o cenário da região, os estudantes perceberam que o planejamento das viagens ainda representava um desafio para muitos motoristas. 

“Percebemos que, em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão, existe um trabalho extra de planejamento que recai sobre o motorista. Foi justamente para reduzir esse esforço que nasceu o EVRoute”, conta o estudante Pedro Germano. 

Ao longo do semestre, a equipe trabalhou no desenvolvimento do aplicativo com o acompanhamento do professor Oswaldo Hideo. Em reuniões semanais, os estudantes apresentavam o andamento do projeto, conversavam sobre as dificuldades encontradas e recebiam orientações para aprimorar o aplicativo. O EVRoute também foi apresentado na Feira de Engenharia Elétrica, na qual a equipe pôde compartilhar o projeto. 

Para Pedro, a experiência foi importante porque permitiu aplicar, na prática, os conhecimentos aprendidos ao longo da graduação. “O principal ganho foi conseguir aplicar, de forma integrada, o conhecimento teórico que a gente vem acumulando semestre a semestre e transformá-lo em algo palpável, um projeto que funciona, que resolve um problema real e que não termina na entrega da nota.”, relata. 

Solução para o transporte universitário 

Outro projeto desenvolvido na disciplina foi o LOCBUS, plataforma criada para facilitar o acompanhamento do ônibus circular da UFPB. A ideia surgiu depois que a equipe percebeu uma dificuldade enfrentada diariamente por quem utiliza o transporte universitário: a falta de previsibilidade sobre o horário de chegada dos veículos aos pontos de parada. 

Segundo o estudante Victor Quirino, o problema foi identificado durante as discussões promovidas na disciplina sobre mobilidade e os desafios encontrados na cidade de João Pessoa e dentro da própria universidade. “Percebemos que o ônibus nem sempre passa pelos pontos no horário previsto, o que gera incerteza para quem depende dele. Foi pensando nisso que desenvolvemos o LOCBUS.” 

Para ajudar a reduzir essa dificuldade, a equipe desenvolveu uma plataforma que reúne informações sobre o trajeto do ônibus, a previsão de chegada aos pontos, o histórico das rotas e o itinerário oficial disponibilizado pela universidade. Com essas informações, os usuários podem acompanhar o deslocamento do veículo e consultar a previsão de chegada aos pontos de parada. Além disso, o projeto foi pensado para ser uma solução de baixo custo, o que pode facilitar sua implementação no futuro. 

Para Victor, a experiência mostrou como a curricularização da extensão aproxima os estudantes de problemas reais e cria oportunidades para colocar em prática os conhecimentos adquiridos na graduação.  

Formação que continua além da sala de aula 

Embora tenham surgido dentro da disciplina Profissional III, os dois aplicativos foram pensados para ir além da sala de aula. O EVRoute foi desenvolvido em uma base de código aberto (open source), permitindo que outros desenvolvedores contribuam com melhorias e novas funcionalidades. A expectativa da equipe é que a ferramenta acompanhe o crescimento da infraestrutura de recarga de veículos elétricos no país e possa ser utilizada por motoristas no futuro. 

Já o LOCBUS ainda está em fase de aperfeiçoamento. Segundo a equipe, a plataforma pode receber novas melhorias antes de uma possível implementação na UFPB, com o objetivo de oferecer aos usuários uma forma mais prática de acompanhar o transporte universitário. Atualmente, os aplicativos ainda não estão disponíveis para a população. 

Os aplicativos também tiveram seus programas de computador registrados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), tendo a UFPB como titular dos registros. A certificação formaliza a proteção intelectual das soluções desenvolvidas pelos estudantes durante a disciplina.  

Texto: Adrielly Torres.