Extensão debate protagonismo de mulheres africanas e afrodiaspóricas 

quarta-feira, 20 de maio de 2026
atualizado em quarta-feira, 20 de maio de 2026
Mulheres em Cena na I Mostra de Projetos de Extensão do CCHLA-UFPB.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) realiza, nos dias 21 e 22 de maio, o evento “Protagonismo de mulheres africanas e afrodiaspóricas: Corpo, Memória, Performance e Ancestralidade”, reunindo pesquisadores, artistas e estudantes em uma programação que articula debates acadêmicos, expressões artísticas e vivências culturais. As atividades acontecem no Centro de Vivência, no Auditório 211 do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA), e em outros espaços da universidade. 

A iniciativa se conecta diretamente ao projeto Mulheres em Cena: Feminismos e Decolonialidade, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex), que desde 2019 atua na valorização e divulgação da produção artística de mulheres em sua diversidade. Partindo de práticas feministas e decoloniais, o projeto busca ampliar o acesso a manifestações culturais historicamente marginalizadas, promovendo o diálogo entre universidade e sociedade e contribuindo para o reconhecimento de saberes ancestrais e populares. 

Segundo a coordenadora do projeto Mulheres em Cena e uma das organizadoras do evento, Luciana Deplagne, o evento busca refletir sobre as lutas, resistências e protagonismo de mulheres africanas, originárias e afrodiaspóricas. A professora pontua ainda que as atividades acontecem na confluência academia-ativismo-cultura, reunindo debates sobre memória, ancestralidade e resistência.

Programação do evento Protagonismo de mulheres africanas e afrodiaspóricas: Corpo, Memória,
Performance e Ancestralidade.

A programação tem início na quinta-feira (21), com uma mesa institucional que reúne representantes da UFPB e instituições parceiras, entre eles a Pró-Reitoria de Extensão. Em seguida, a abertura conta com uma fala-performance da arte-educadora Tutu Carvalho, propondo uma experiência que une corpo, arte e reflexão, na qual são elementos centrais do evento. 

Ao longo do primeiro dia, as mesas discutem o protagonismo de mulheres afro-diaspóricas, ou seja, mulheres negras cujas trajetórias e produções estão ligadas às heranças culturais africanas fora do continente, em diferentes contextos. As falas abordam desde práticas culturais e estratégias de resistência no espaço público até a presença da memória e da ancestralidade na literatura de autoras africanas e amefricanas. Nomes de diferentes instituições nacionais e internacionais compõem o debate, ampliando as perspectivas sobre as experiências dessas mulheres em contextos diversos. 

A programação reúne mesas temáticas, performances e atividades culturais ao longo dos dois dias, com participação de pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do exterior. A agenda completa do evento, com horários detalhados e todas as atividades, pode ser consultada na plataforma SIGEventos. 

Programação ocupa equipamentos da Proex 

Um dos destaques da programação é a visita ao Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular (NUPPO), localizado no prédio da Reitoria, onde o público poderá acompanhar uma exposição de xilogravuras da artista Márcia Carvalho e a apresentação da Ciranda do Sol, com Mestra Tina e integrantes do grupo. A atividade mostra o compromisso do projeto com a valorização das culturas populares e com a vivência prática desses saberes. 

Na sexta-feira (22), a programação continua com mesas que aprofundam discussões sobre ancestralidade, memória e protagonismo feminino nas artes e na literatura, além de reflexões sobre redes de resistência de mulheres afro-diaspóricas em contextos francófonos e lusófonos (de língua francesa e portuguesa). O encerramento acontece na Capela Ecumênica da UFPB, com a performance “Na Esteira”, de Valéria Vicente, ampliando a experiência do público por meio da relação entre corpo, espaço e memória. 

Mulheres na cena da extensão  

O evento também reflete a trajetória do projeto Mulheres em Cena, um dos organizadores, que desenvolve ações em escolas, comunidades e territórios tradicionais, como quilombos e aldeias indígenas, utilizando metodologias participativas e referências como a pedagogia griô, uma abordagem que valoriza a transmissão de saberes ancestrais por meio da oralidade, da memória e da vivência cultural. Ao longo dos anos, o projeto tem contribuído para dar visibilidade a produções femininas historicamente silenciadas, além de incentivar novas formas de pensar a literatura e a cultura. 

“Levar para escolas e outros espaços de cultura a discussão de gênero e raça a partir da valorização da produção feminina amefricana e do contato com suas produções artísticas é um ato de resistência”, ressalta Luciana Deplagne. A coordenadora destaca ainda que o projeto busca divulgar o protagonismo de mulheres em manifestações como o repente, a xilogravura, o cordel, o coco de roda e a ciranda.  

O evento vai além de um encontro acadêmico, sua realização dialoga diretamente com a essência do Mulheres em Cena, ao reunir pesquisa, arte e extensão em torno do protagonismo feminino e da valorização de saberes ancestrais, aproximando a universidade de diferentes realidades e experiências. 

Texto: Adrielly Torres