Simpósio do Centro de Informação sobre Medicamentos discute riscos da automedicação e da desinformação

No país em que são registradas cerca de 20 mil mortes por ano em decorrência da automedicação, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a informação pode salvar vidas. Em alusão ao Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, o Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM), vinculado ao Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), realiza nesta segunda (4) e terça-feira (5) o 4º Simpósio sobre o Uso Racional de Medicamentos.
A abertura do evento, realizada nesta segunda-feira (4), no auditório de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional do Centro de Ciências da Saúde (CCS), contou com a presença da pró-reitora de Extensão (Proex), Bernardina Freire; do diretor do CCS, Fabiano Gonzaga; do chefe do Departamento de Ciências Farmacêuticas, João Vianney Pereira; da conselheira federal de Farmácia suplente, Patrícia Navarro; do coordenador do CIM, Gabriel Freitas; e da vice-coordenadora do CIM e coordenadora do evento, Eloiza Campana.

Considerada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um problema de saúde pública, a automedicação pode causar danos graves e até irreversíveis aos órgãos. Segundo Gabriel Freitas, no campo da saúde, a desinformação se torna ainda mais preocupante por envolver diretamente o cuidado com as pessoas. “A informação que transmitimos aos pacientes pode tanto curar quanto matar. Esse é o principal eixo do evento deste ano: discutir a infodemia e seus impactos, como a automedicação, os prejuízos à saúde e a hipermedicalização”, destacou.
O coordenador também reforçou que as decisões clínicas devem ser pautadas em critérios científicos.
“Nós, profissionais de saúde, independentemente da especialidade, devemos orientar nossas condutas não com base em experiências isoladas, mas fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis.”
Para o chefe do Departamento de Ciências Farmacêuticas, João Vianney Pereira, a universidade exerce papel essencial na formação de profissionais comprometidos com o combate à desinformação. “No sistema de saúde, a população é a mais importante, porque sem o paciente nada disso existe. Da mesma forma, na universidade, o foco são os estudantes. Por isso, nossa obrigação como professores é oferecer o melhor ensino possível, para que, ao se formarem, levem esse conhecimento às comunidades e às pessoas que mais precisam”, ressaltou.
CIM promove extensão, conscientização e descarte seguro

Implementado em 2019, o CIM reúne e promove ações contínuas de extensão por meio dos editais Fluex. Para a vice-coordenadora do CIM-UFPB e coordenadora do evento, Eloiza Campana, a presença institucional reforça a importância do trabalho desenvolvido. “A presença da Pró-Reitoria de Extensão muito nos honra, pois representa o reconhecimento desses sete anos de projetos e ações. Estar conosco neste momento, acompanhando tudo o que temos conseguido construir, mesmo diante das dificuldades, reforça a trajetória de um centro fortemente marcado pelas ações de extensão acadêmica”, enfatizou.
Para informar e conscientizar a população com linguagem simples, o projeto desenvolveu mascotes próprios. O primeiro, o Cimplifica, tem a missão de levar informação acessível a todos os públicos. Já no contexto de combate à desinformação, surgiu a Maria Evidência, fundamentada na ciência e preparada para esclarecer o que for necessário.
Durante o evento, a urna do Descarta CIM também esteve disponível para o depósito de medicamentos vencidos ou em desuso. O projeto, além das Unidades de Saúde Familiar (USFs) e das farmácias, é um dos pontos de coleta. Os extensionistas lembram que medicamentos não podem ser descartados em lixo comum ou no vaso sanitário, já que o material acaba alcançando o meio ambiente, o que pode causar a poluição do solo e das águas, comprometendo a qualidade de vida e a saúde da população.
A pró-reitora de Extensão, Bernardina Freire, destacou que iniciativas como as desenvolvidas pelo Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) são fundamentais, já que a universidade pública tem a responsabilidade social de atuar ativamente nesse contexto, não apenas formando profissionais qualificados, mas também contribuindo para a construção de uma cultura baseada em evidências científicas.
“A extensão universitária cumpre um papel essencial ao transformar conhecimento em prática social, promovendo educação em saúde e fortalecendo a autonomia da população diante de informações que podem, muitas vezes, colocar vidas em risco”, ressaltou.
Conheça o Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM): @cimufpb
Texto: Marcella Machado
Fotos: Marcella Machado/Divulgação do CIM
